{"id":359,"date":"2026-06-09T13:24:16","date_gmt":"2026-06-09T16:24:16","guid":{"rendered":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/?p=359"},"modified":"2026-06-09T13:46:03","modified_gmt":"2026-06-09T16:46:03","slug":"poliana-okimoto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/index.php\/2026\/06\/09\/poliana-okimoto\/","title":{"rendered":"Poliana Okimoto"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por <strong>Alexandre Pussieldi<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/poliana01-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-360\" style=\"aspect-ratio:1.499305141949573;width:499px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/poliana01-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/poliana01-300x200.jpg 300w, https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/poliana01-768x512.jpg 768w, https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/poliana01-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/poliana01-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A palavra pioneiro vem do franc\u00eas \u201cpionnier\u201d e tem origem nas batalhas da Idade M\u00e9dia, quando um soldado era enviado \u00e0 frente dos batalh\u00f5es para abrir caminho e garantir o avan\u00e7o de suas tropas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o existe palavra melhor do que \u201cpioneira\u201d para definir a carreira de Poliana Okimoto Cintra nas \u00e1guas abertas do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A modalidade \u00e9 antiga. Afinal, a nata\u00e7\u00e3o come\u00e7ou justamente em \u00e1guas abertas, na primeira edi\u00e7\u00e3o dos Jogos Ol\u00edmpicos da Era Moderna, em 1896, quando as provas foram disputadas na Ba\u00eda de Zea, em Atenas, na Gr\u00e9cia. Entretanto, as \u00e1guas abertas s\u00f3 passaram a integrar oficialmente os Campeonatos Mundiais da antiga FINA em 1991 e tornaram-se modalidade ol\u00edmpica apenas em Pequim 2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poliana Okimoto foi pioneira no crescimento e no desenvolvimento das \u00e1guas abertas brasileiras. Foi a primeira em (quase) tudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As primeiras medalhas brasileiras em Campeonatos Mundiais de \u00c1guas Abertas vieram com ela, em N\u00e1poles, na It\u00e1lia, em 2006, quando conquistou duas medalhas de prata, nos 5 km e nos 10 km.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano seguinte, a FINA inaugurava o Circuito da Copa do Mundo de \u00c1guas Abertas e Poliana imediatamente marcava seu territ\u00f3rio. Foi a primeira brasileira a conquistar uma medalha no circuito, bronze em Sevilha, na Espanha, em junho de 2007. Tr\u00eas meses depois, tornou-se tamb\u00e9m a primeira campe\u00e3 de etapa da Copa do Mundo ao vencer a prova de Shantou, na China.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2009, alcan\u00e7ou um feito hist\u00f3rico: tornou-se a primeira brasileira campe\u00e3 geral da Copa do Mundo de \u00c1guas Abertas em uma campanha jamais repetida por qualquer outro atleta na hist\u00f3ria do circuito, vencendo nove das dez etapas disputadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pioneirismo de Poliana tamb\u00e9m marcou os Jogos Pan-Americanos. No Rio de Janeiro, em 2007, conquistou a medalha de prata em uma chegada emocionante contra a americana Chloe Sutton. Quatro anos depois, em Guadalajara 2011, voltou ao p\u00f3dio com outra medalha de prata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o fim do Campeonato Mundial exclusivo da modalidade, as \u00e1guas abertas passaram a integrar apenas os Mundiais de Esportes Aqu\u00e1ticos da FINA. E, novamente, Poliana foi pioneira: tornou-se a primeira brasileira medalhista em Mundiais de Esportes Aqu\u00e1ticos ao conquistar o bronze nos 5 km no Mundial de Roma, em 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano anterior, as \u00e1guas abertas estreavam no programa ol\u00edmpico. Poliana estava l\u00e1. Ao lado de Ana Marcela Cunha, construiu uma rivalidade hist\u00f3rica e saud\u00e1vel que ajudou a transformar o Brasil em uma das maiores pot\u00eancias mundiais da modalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poliana foi a primeira brasileira a conquistar classifica\u00e7\u00e3o ol\u00edmpica nas \u00e1guas abertas ao terminar a seletiva ol\u00edmpica de Sevilha na sexta coloca\u00e7\u00e3o. Em Pequim 2008, foi tamb\u00e9m a primeira brasileira a concluir a prova ol\u00edmpica dos 10 km, terminando em s\u00e9timo lugar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prova ol\u00edmpica dos 10 km tamb\u00e9m lhe proporcionou outro feito in\u00e9dito. No Mundial de Barcelona, em 2013, Poliana realizou talvez a melhor competi\u00e7\u00e3o de sua carreira. Foi campe\u00e3 mundial dos 10 km, vice-campe\u00e3 nos 5 km e medalhista de bronze no revezamento por equipes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Naquele Mundial, o Brasil conquistou, pela primeira e \u00fanica vez, o t\u00edtulo mundial das \u00e1guas abertas, superando a tradicional e favorita equipe alem\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa trajet\u00f3ria de pioneirismo n\u00e3o aconteceu por acaso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Revelada no Corinthians, Poliana destacou-se desde as categorias de base. Posteriormente integrou a hist\u00f3rica equipe da Munhoz Nata\u00e7\u00e3o, um dos maiores celeiros da nata\u00e7\u00e3o de fundo brasileira na d\u00e9cada de 1990. Sob o comando do treinador Ismar Barbosa, acumulou recordes, t\u00edtulos nacionais e conquistas sul-americanas desde as categorias infantis, j\u00e1 brilhando tamb\u00e9m em competi\u00e7\u00f5es absolutas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas de suas marcas permaneceram intactas durante anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua trajet\u00f3ria ol\u00edmpica ainda lhe reservaria outros feitos hist\u00f3ricos. Poliana tornou-se a primeira brasileira a disputar tr\u00eas Olimp\u00edadas nas \u00e1guas abertas e, na \u00faltima delas, alcan\u00e7ou a consagra\u00e7\u00e3o definitiva: tornou-se a primeira mulher brasileira medalhista ol\u00edmpica dos esportes aqu\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dia 15 de agosto de 2016 jamais ser\u00e1 esquecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Praia de Copacabana estava lotada para acompanhar uma prova que mudou at\u00e9 mesmo a geografia simb\u00f3lica do local. At\u00e9 hoje, o Posto 5 \u00e9 conhecido como \u201cPraia Ol\u00edmpica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A holandesa Sharon van Rouwendaal venceu a prova com autoridade. Atr\u00e1s dela, uma disputa intensa pela medalha de prata envolvia a italiana Rachele Bruni e a francesa Aur\u00e9lie Muller, em um duelo marcado por muito contato f\u00edsico. Um desses lances chamou imediatamente a aten\u00e7\u00e3o do narrador Cl\u00e1udio Uchoa, do SporTV, que percebeu a poss\u00edvel irregularidade ainda durante a transmiss\u00e3o. Ele foi o primeiro a cravar, \u201co bronze \u00e9 do Brasil!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poucos segundos atr\u00e1s daquela disputa chegava Poliana Okimoto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A arbitragem agiu rapidamente. O contato irregular de Muller sobre Bruni foi considerado ilegal, a francesa acabou desclassificada e Poliana herdava a medalha de bronze.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na praia, as pessoas come\u00e7avam a receber a not\u00edcia. A imprensa j\u00e1 anunciava o resultado. O p\u00fablico comemorava. Apenas Poliana ainda n\u00e3o sabia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto se recuperava da prova e era conduzida em um carrinho el\u00e9trico para a \u00e1rea reservada aos atletas, via pessoas celebrando, gritando e aplaudindo sem entender exatamente o motivo daquela explos\u00e3o de alegria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi ao longo daquele trajeto que come\u00e7ou a ouvir das pessoas a confirma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica: era medalhista ol\u00edmpica. Era bronze.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era a medalha que faltava para as mulheres brasileiras nos esportes aqu\u00e1ticos ol\u00edmpicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma conquista eterna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez a \u00fanica vez em toda sua carreira em que Poliana Okimoto n\u00e3o foi a primeira, mas a \u00faltima a saber.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Primeira mulher brasileira a integrar o International Marathon Swimming Hall of Fame, Poliana Okimoto torna-se agora tamb\u00e9m a primeira mulher a entrar para o Hall da Fama da Nata\u00e7\u00e3o Brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alexandre Pussieldi A palavra pioneiro vem do franc\u00eas \u201cpionnier\u201d e tem origem nas batalhas da Idade M\u00e9dia, quando um soldado era enviado \u00e0 frente dos batalh\u00f5es para abrir caminho e garantir o avan\u00e7o de suas tropas. 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