{"id":279,"date":"2026-06-09T12:11:19","date_gmt":"2026-06-09T15:11:19","guid":{"rendered":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/?p=279"},"modified":"2026-06-09T13:04:44","modified_gmt":"2026-06-09T16:04:44","slug":"marcus-laborne-mattioli","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/index.php\/2026\/06\/09\/marcus-laborne-mattioli\/","title":{"rendered":"Marcus Laborne Mattioli"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Texto: Pedro Junqueira<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"614\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/chamada-marcus-mattioli-614x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-155\" style=\"aspect-ratio:0.5996204933586338;width:358px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/chamada-marcus-mattioli-614x1024.jpg 614w, https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/chamada-marcus-mattioli-180x300.jpg 180w, https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/chamada-marcus-mattioli-768x1280.jpg 768w, https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/chamada-marcus-mattioli-922x1536.jpg 922w, https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/chamada-marcus-mattioli.jpg 975w\" sizes=\"(max-width: 614px) 100vw, 614px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<strong>Homenagem do HFNB a Marcus Laborne Mattioli \u2013 02\/11\/2023&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eram quatro irm\u00e3os em estilo escadinha. O primeiro foi para \u00e1gua pela mesma raz\u00e3o de onze entre cada dez nadadores: asma e o amor dos pais que querem resolver isto. No rastro, o segundo se tornou campe\u00e3o brasileiro e nadador hist\u00f3rico no Minas Tenis Clube (Minas). No embalo, o terceiro foi campe\u00e3o mundial estudantil. E a\u00ed, para fechar, o ca\u00e7ula trouxe uma medalha ol\u00edmpica. Eis a\u00ed, em uma casca de noz, o resumo da hist\u00f3ria dos Mattioli, fam\u00edlia legend\u00e1ria do Minas, da qual Marcus Laborne Mattioli, o ca\u00e7ula, \u00e9 o homenageado e novo membro do Hall da Fama da Nata\u00e7\u00e3o Brasileira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marcus, ou, segundo todos os seus amigos nadadores mineiros, Marquinhos, come\u00e7ou cedo a treinar, aos tr\u00eas ou quatro anos, t\u00edpico de quem tem tr\u00eas irm\u00e3os mais velhos nadadores. Seguiu em frente competindo pelo Minas como mini-mirim, mirim, petiz, infantil&#8230; A certa altura, normal, o adolescente come\u00e7ou a matar treino, a frequentar a pelada do outro lado do clube, a tirar um pouco a nata\u00e7\u00e3o do protagonismo. Mas continuava a vestir orgulhoso o uniforme da nata\u00e7\u00e3o do Minas, a competir, s\u00f3 que sem se destacar em campeonatos brasileiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-03-at-16.04.08.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-03-at-16.04.08.jpeg\" alt=\"O garoto Mattioli no comecinho\" class=\"wp-image-1904\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O garoto Mattioli no comecinho<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi a\u00ed que, quis o destino, o bom esp\u00edrito competitivo, natat\u00f3rio, brotou, e brotou com for\u00e7a avassaladora, fruto de uma das causas mais importantes da performance de um nadador de elite: o colega de treino. No come\u00e7o de 1975, no campeonato brasileiro infanto-juvenil, enquanto poucos tinham ci\u00eancia do nadador Marquinhos, seu colega de treino, coet\u00e2neo, e amigo de vida, Helio Lipiani, brilhou muito al\u00e9m do que um minastenista estava acostumado. Helinho ganhou o ouro nos 100m livre juvenil (13 e 14 anos naquela \u00e9poca), a prova que todo mundo acompanha no campeonato brasileiro, para algumas semanas depois ir at\u00e9 Arica, Chile, vencer o sul-americano, e retornar ao Minas sob aplausos, com direito a homenagem e trof\u00e9u. Naquele momento, no amigo observador que acompanhou tudo, a semente da medalha ol\u00edmpica era plantada. De uma hora para outra, sua atitude em rela\u00e7\u00e3o aos treinos e ambi\u00e7\u00e3o multiplicou por dez em qualidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-03-at-16.04.08-1.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-03-at-16.04.08-1.jpeg\" alt=\"Crescendo, Helinho em p\u00e9 \u00e0 esquerda e Mattioli agachado ao lado\" class=\"wp-image-1901\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Crescendo, Helinho em p\u00e9 \u00e0 esquerda e Mattioli agachado ao lado<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Minas naquela \u00e9poca, na pacata e gostosa Belo Horizonte, tinha sua nata\u00e7\u00e3o completa treinada por membros da pol\u00edcia militar. A evolu\u00e7\u00e3o clamava por altera\u00e7\u00f5es. E no primeiro semestre de 1976, com um olho no Trof\u00e9u Brasil que iria se realizar no Minas no come\u00e7o de 1977, desembarcava naquelas terras Amaury Machado, que tinha trabalhado com o conhecido t\u00e9cnico Pavel, no Botafogo. Depois do Helinho, o segundo fator da feitura da futura medalha ol\u00edmpica do Marquinhos se constitu\u00eda naquele momento, na figura daquele simp\u00e1tico treinador bigodudo de sotaque carioca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Amaury come\u00e7ou a reestruturar e modernizar a nata\u00e7\u00e3o do Minas, iria tirar o clube daquela regi\u00e3o dos clubes de poucos pontos na tabela de classifica\u00e7\u00e3o do Trof\u00e9u Brasil e, atrav\u00e9s de melhores nadadores, com destaque para o Marquinhos, colocar o Minas como clube competidor levado a s\u00e9rio pelos melhores clubes cariocas e paulistas. Na verdade, para quem quer saber e entender hist\u00f3ria e evolu\u00e7\u00e3o, no Trof\u00e9u Brasil do in\u00edcio de 1977 nascia a preponder\u00e2ncia futura na nata\u00e7\u00e3o brasileira do Pinheiros, com seu primeiro t\u00edtulo naquela competi\u00e7\u00e3o, e do Minas, quarto lugar naquela competi\u00e7\u00e3o. E com 16 anos de idade rec\u00e9m completados, Marquinhos se tornava o principal pontuador masculino do Minas e, para os n\u00e3o mineiros, Mattioli se tornava um nome de um nadador auspicioso para o futuro da nata\u00e7\u00e3o brasileira. Ele se destacou principalmente como fundista, medalhando nos 400m livre e nos 1500m livre. Mas aquilo era o come\u00e7o ainda de sua mudan\u00e7a de patamar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Amaury se alinhou super bem com seu pupilo principal. Convenceu o Marquinhos a treinar como fundista, o que o faria, a longo prazo, um nadador mais completo e capacitado para treinamento. Na parte da bacia daquela piscina antiga do clube, no fundo, debaixo dos trampolins, houve uma pequena revolu\u00e7\u00e3o, e nadadores como Marquinhos e Helinho se submeteram, com muita garra, a s\u00e9ries e mais s\u00e9ries di\u00e1rias de treinamento de fundista, ganhando familiaridade com tudo que o cron\u00f4metro e o rel\u00f3gio podem transformar e melhorar um nadador de alta performance. Nesta \u00e9poca, tamb\u00e9m, se consolidou a t\u00e9cnica do Marquinhos Mattioli, um nadador de bra\u00e7ada perfeita, em termos de efici\u00eancia e est\u00e9tica, da mesma escola de um Thorpe e de um Wellbrock.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-03-at-16.04.08-2.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-03-at-16.04.08-2.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1902\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Chegando o Trof\u00e9u Brasil 78, Mattioli na extrema esquerda, Helinho ao lado em p\u00e9, e Amaury na outra ponta.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado foi um Julio Delamare (JD), em Recife, e um Trof\u00e9u Brasil (TB), no Fluminense, hist\u00f3ricos, no come\u00e7o de 1978. No JD, em embate com o Jorge Fernandes nas provas mais r\u00e1pidas, e em dom\u00ednio absoluto nas provas longas, incluindo o 400m medley, Marquinhos varreu as medalhas destas provas, e ainda se destacou no borboleta, estilo no qual seria um dos que viria a ocupar o espa\u00e7o de lideran\u00e7a nacional nos anos seguintes, no costas, e nos revezamentos. No TB, contra o nosso maior nadador dos anos 70, Djan Madruga, Marquinhos saiu conquistando muitas pratas, justamente porque os dois, para pontuar para seus respectivos clubes, s\u00f3 n\u00e3o nadavam prova de peito, se enfrentando em in\u00fameras provas durante o torneio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois daqueles dois anos \u00faltimos, de muita evolu\u00e7\u00e3o, quando 1978 come\u00e7ou a avan\u00e7ar, Marquinhos passou a se concentrar nas provas de meia-dist\u00e2ncia, com foco nos 200m livre, a dist\u00e2ncia que o levaria \u00e0 medalha ol\u00edmpica em revezamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De quebra continuava nadando as provas de borboleta, e tamb\u00e9m de 200m medley, antes da ascens\u00e3o do Prado, e com o Djan mais focado nos 400m medley. Aos poucos ele foi se especializando e arrancando segundos preciosos no tempo dos 200m livre. De 1m57s, no come\u00e7o de 1978, ele chegou em 1m56s no campeonato mundial no meio daquele ano em Berlim, e, um ano depois, em 1m54s9 nos Jogos Pan Americanos (Pan), em San Juan, em julho de 1979. Mais importante, naquela competi\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de conquistar o bronze na prova de revezamento de 4x100m livre, abrindo o revezamento na final dos 4x200m livre, com a mesma equipe que conquistaria a medalha ol\u00edmpica, Marquinhos nadou os 200m livre em 1m54s71, e o Brasil conquistou a prata, batendo o Canad\u00e1 por tr\u00eas d\u00e9cimos de segundo. Naquele tempo Canad\u00e1 e EUA enviavam seus melhores nadadores para o Pan.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Pan o Brasil bateu duas vezes o recorde sul-americano dos 4x200m livre, marcando na final 7m38s92, uma m\u00e9dia de 1m54s73 por nadador. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, na olimp\u00edada de 1972 e nos mundiais de 1973 e 1975, o revezamento brasileiro nesta prova nadou na faixa entre 8m17s e 8m07s, ou seja, trinta segundos mais lento. O recorde brasileiro individual dos 200m livre s\u00f3 quebrou a marca de 2 minutos no come\u00e7o de 1973. E no ano seguinte ao Pan, para efeito da conquista da medalha ol\u00edmpica, o recorde de revezamento ainda iria andar muito mais. Na verdade iria alcan\u00e7ar marca mais r\u00e1pida que quatro vezes o recorde sul americano individual na prova na mesma data, que pertencia ent\u00e3o ao Djan. Isto s\u00f3 foi poss\u00edvel em fun\u00e7\u00e3o de uma conjun\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria de v\u00e1rios fatores, entre eles o fen\u00f4meno da exist\u00eancia concomitante de quatro nadadores brasileiros de primeir\u00edssima estirpe nos 200m livre, algo in\u00e9dito ent\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para quem conhece, a prova de 200m livre \u00e9 uma das mais bonitas, porque \u00e9 uma arte a se dominar. O nadador tem que ter os atributos de velocidade e resist\u00eancia de forma mais equilibrada, e muita tarimba e sabedoria, porque ele busca maximizar sua performance temporal sem poder acelerar nem demais nem de menos, e distribuindo esta constante calibragem ao longo de todo o percurso, sob o efeito de sua percep\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos seus competidores. Um pequeno erro, em qualquer destas dimens\u00f5es, significa algo inferior \u00e0 maximiza\u00e7\u00e3o potencial do nadador. E isto tudo ainda tem que ser ajustado em fun\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es dadas no dia, principalmente de como o nadador est\u00e1 se sentindo. \u00c9 isto que o Marquinhos passou a maior parte de sua exist\u00eancia naqueles anos tentando aprimorar. E de 1975 a 1980 o Brasil produziu quatro ex\u00edmios artistas dos 200m livre. Mas para a medalha ol\u00edmpica, al\u00e9m de artistas, eles precisavam ainda de outros atributos, a serem adquiridos depois do Pan.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E depois do Pan Marquinhos foi para os EUA, em Fort Lauderdale, com a equipe do Minas. L\u00e1 treinaram e competiram, e o Coach Nelson, t\u00e9cnico americano da equipe feminina dos EUA na olimp\u00edada de Montreal, em 1976, conversou com o Amaury sobre a possibilidade do Marquinhos por l\u00e1 treinar. Mas, na mesma \u00e9poca, depois de contato do Amaury tanto em Bloomington, Indiana, como no Minas, em Belo Horizonte, por ocasi\u00e3o de visita ao clube mineiro do super time americano daquela universidade, Doc Counsilman j\u00e1 estava fechando uma bolsa para levar o Marquinhos para treinar na meca da nata\u00e7\u00e3o do meio oeste americano, inclusive junto com o Djan que l\u00e1 j\u00e1 treinava e estudava h\u00e1 um tempo. E assim, entre o Pan e, doze meses depois, as olimp\u00edadas de Moscou, Marquinhos dividiu o seu calend\u00e1rio, treinando sucessivamente junto aos Hoosiers, tentando extrair o relevante potencial de melhora da oportunidade, e aos minastenistas, mais l\u00e1 um pouco do que c\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-03-at-16.04.08-3.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-03-at-16.04.08-3.jpeg\" alt=\"Em Indiana, desafiado pelo volume de pizza. Djan incentivando atr\u00e1s.\" class=\"wp-image-1903\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Em Indiana, desafiado pelo volume de pizza. Djan incentivando atr\u00e1s.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Moscou chegou com a seguinte cara: Djan e R\u00f4mulo Arantes eram os protagonistas, e veteranos, apesar de n\u00e3o serem t\u00e3o mais velhos; dos outros nenhum era visto com qualquer chance nem de medalha e nem de final. S\u00f3 que, vislumbrando oportunidade improv\u00e1vel mas para a qual valia dar o sangue e fazer jus a uma vida de treinamento, Djan, Marquinhos, Jorge Fernandes e Cyro Delgado come\u00e7aram a se comportar e agir como uma verdadeira equipe de revezamento medalhista ol\u00edmpica. Isto quer dizer muita coisa, inclusive intang\u00edveis, mas o que os quatro, retrospectivamente, gostam de relatar \u00e9 a tal da mentaliza\u00e7\u00e3o, que somente os quatro t\u00eam credibilidade para explicar. Liderados pelo Djan, os quatro embarcaram s\u00e9ria e profissionalmente neste exerc\u00edcio que, as evid\u00eancias indo al\u00e9m do intervalo cient\u00edfico de 95% de certeza, deu para l\u00e1 de certo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No quarto dia de competi\u00e7\u00e3o da nata\u00e7\u00e3o na olimp\u00edada, um memor\u00e1vel 23 de julho de 1980, depois de um come\u00e7o ruim de competi\u00e7\u00e3o para as duas esperan\u00e7as brasileiras, e uma performance t\u00e9pida de Marquinhos, Jorge e Cyro na prova individual dos 200m livre, com os tr\u00eas nadando acima de 1m54s, chegou o dia do revezamento. Na prova individual dos 200m livre teve russos, australianos, italianos, alem\u00e3o oriental e sueco na final. Todos estes, e mais alguns outros que tinham chegado \u00e0 frente dos tr\u00eas brasileiros na prova individual, faziam parte dos respectivos revezamentos de seus pa\u00edses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pela manh\u00e3, nadando na segunda s\u00e9rie, o Brasil mandou 7m32s81, atr\u00e1s da favorita Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, e em terceiro no geral. L\u00e1 se foi, f\u00e1cil, um recorde sul-americano. S\u00f3 que parecia que ainda havia gordura a ser queimada, e, sem ilus\u00e3o, sabiam que precisariam desta suposta reserva porque sabiam que a final seria uma outra hist\u00f3ria, um outro patamar. Marquinhos teve a melhor parcial, de 1m52s76, bem&nbsp;abaixo do que vinha nadando, e contribuindo para colocar o Brasil na raia 3 na final. Jorge, que abria, j\u00e1 nadou bem melhor que na prova individual, marcando 1m53s49. Cyro, na parcial, tamb\u00e9m tinha melhorado um pouco, 1m53s20. E o \u00e2ncora, o capit\u00e3o, Djan, fechando com seus 1m53s36 parecia, tipicamente, controladamente ter guardado o seu coringa no bolso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vem a final, a prova da vida deles, representando um Brasil inteiro sem medalhas, l\u00e1 longe, quase chegando nos Urais, dentro do Olimpisky Sports Complex. Jorge sobe na banqueta da raia 3 para abrir. Manda 1m52s61, 27 cent\u00e9simos do recorde sul-americano. Marquinhos, nadando ao lado de Salnikov, mant\u00e9m o n\u00edvel da manh\u00e3, com 1m52s94. Cyro abaixa bem, 1m52s35, conseguindo, na margem de d\u00e9cimos, vir do quinto para o terceiro. E Djan, ancorando, contra outros fortes \u00e2ncoras, mant\u00e9m o terceiro, cravando uma parcial de 1m51s40, com o quarto, o quinto, o sexto e o s\u00e9timo lugares a menos de um segundo e meio dele. Tempo total 7m29s30, mais tr\u00eas segundos e meio de baixa no recorde sul-americano. Tal tempo seria recorde mundial at\u00e9 quatro anos antes. Nada mal para o improv\u00e1vel grupo de quatro nadadores brasileiros artistas dos 200m livres, unidos, poderosamente mentalizados, melhorando muito, cada um, na hora certa, sob press\u00e3o de final ol\u00edmpica, e colocando o Brasil no quadro de medalhas, de todos os esportes. Tal feito, qualifica, por si s\u00f3, a qualquer um dos participantes daquele revezamento, \u00e0 entrada no Hall da Fama da Nata\u00e7\u00e3o Brasileira. Ponto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-03-at-16.04.09.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-03-at-16.04.09.jpeg\" alt=\"P\u00f3dio em Moscou. Gl\u00f3ria ol\u00edmpica dos quatro\" class=\"wp-image-1906\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">P\u00f3dio em Moscou. Gl\u00f3ria ol\u00edmpica dos quatro<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Terminada a olimp\u00edada, as homenagens, as celebra\u00e7\u00f5es, Marquinhos, medalhista ol\u00edmpico, aos 19 anos de idade, se v\u00ea na inexor\u00e1vel realidade de seguir em frente sua vida. Entrando em 1981, ainda nadando e treinando, mas come\u00e7ando a cotejar o custo de dedica\u00e7\u00e3o e as possibilidades de renda em in\u00edcio de vida adulta, ele, amante do Minas e desinteressado por outro clube, come\u00e7ou a buscar independ\u00eancia financeira. Ainda indo ao Universiade em Bucareste, em julho daquele ano, come\u00e7aria a encerrar, ou pelo menos achava que encerraria, sua vida de nadador um pouco depois. A pausa tendo durando um pouco mais de dois anos, ele retornaria \u00e0s piscinas em 1984, talvez motivado pela performance recente ent\u00e3o do Ricardo Prado. Nesta prorroga\u00e7\u00e3o de jogo, Marquinhos ainda iria ao Mundial de Madrid, em 1986, participando de v\u00e1rias provas, e encerraria de vez, ou achava que estaria encerrando, a carreira, em 1987.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dezenove anos depois, em 2006, por for\u00e7a de uma combina\u00e7\u00e3o de fatores, incluindo sa\u00fade e paternidade, Marquinhos retorna pela segunda vez para as piscinas. No come\u00e7o, parece uma brincadeira. Os treinos v\u00e3o aumentando, se intensificando, Marquinhos come\u00e7a a se infiltrar em treinos de gente craque e um quarto de s\u00e9culo mais nova do que ele, enfia os palmares, e desata a querer&nbsp;acompanhar minastenistas como Thiago Pereira, Rodrigo Castro e Nicolas Nilo. A consequ\u00eancia disto, al\u00e9m de muitas homenagens e premia\u00e7\u00f5es e viagens de competi\u00e7\u00e3o, em piscina e mar, s\u00e3o um sem n\u00famero de recordes mundiais master nos \u00faltimos quinze anos, dos quais ele ainda det\u00e9m tr\u00eas, se n\u00e3o voltar a adicionar mais, porque continua nadando e competindo, muito diferenciadamente, incluindo em mundiais, aos 63 anos rec\u00e9m completados. Uma inspira\u00e7\u00e3o a todos n\u00f3s que amamos a nata\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, e a atitude positiva frente ao destino. Parab\u00e9ns e obrigado Marquinhos! O Hall da Fama te celebra, te admira, e te agradece por tudo que voc\u00ea faz e representa para a nata\u00e7\u00e3o brasileira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-03-at-16.04.09-1.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-03-at-16.04.09-1.jpeg\" alt=\"Campe\u00e3o de master, em dia de travessia em Copa, junto com Prado.\" class=\"wp-image-1905\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Campe\u00e3o de master, em dia de travessia em Copa, junto com Prado.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Entrevista a TV Swim Channel no dia da entrega da placa de homenagem, eternizando Marcus Mattioli como membro do Hall da Fama da Nata\u00e7\u00e3o Brasileira<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Hall da Fama da Natac\u0327a\u0303o Brasileira  - Entrevista Marcus Mattioli pre\u0301 homenagem\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/upsIn_Devec?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Cerim\u00f4nia de entrega da placa de homenagem do Hall da Fama da Nata\u00e7\u00e3o Brasileira realizada no Esporte Clube Pinheiros, em S\u00e3o Paulo, durante o 3\u00ba dia de competi\u00e7\u00f5es do Campeonato Brasileiro Absoluto de Nata\u00e7\u00e3o &#8211; Trof\u00e9u Jos\u00e9 Finkel, em 2 de novembro de 2023.<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Hall da Fama da Natac\u0327a\u0303o Brasileira   Marcus Mattioli recebe a homenagem\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QQf8j8TQ5QM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Galeria de imagens<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n<\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Pedro Junqueira &nbsp;Homenagem do HFNB a Marcus Laborne Mattioli \u2013 02\/11\/2023&nbsp; Eram quatro irm\u00e3os em estilo escadinha. O primeiro foi para \u00e1gua pela mesma raz\u00e3o de onze entre cada dez nadadores: asma e o amor dos pais que querem resolver isto. No rastro, o segundo se tornou campe\u00e3o brasileiro e nadador hist\u00f3rico no Minas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":155,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-279","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=279"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":350,"href":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279\/revisions\/350"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/155"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}