{"id":240,"date":"2026-06-09T11:22:00","date_gmt":"2026-06-09T14:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/?p=240"},"modified":"2026-06-09T13:03:17","modified_gmt":"2026-06-09T16:03:17","slug":"piedade-coutinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hall.swimchannel.net\/index.php\/2026\/06\/09\/piedade-coutinho\/","title":{"rendered":"Piedade Coutinho"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Texto: Daniel Takata<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"614\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/chamada-piedade-coutinho-614x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-157\" style=\"width:380px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/chamada-piedade-coutinho-614x1024.jpg 614w, https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/chamada-piedade-coutinho-180x300.jpg 180w, https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/chamada-piedade-coutinho-768x1280.jpg 768w, https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/chamada-piedade-coutinho-922x1536.jpg 922w, https:\/\/hall.swimchannel.net\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/chamada-piedade-coutinho.jpg 975w\" sizes=\"(max-width: 614px) 100vw, 614px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As guerras do s\u00e9culo passado privaram muitos atletas de alcan\u00e7arem a gl\u00f3ria m\u00e1xima. Devido \u00e0 Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, tr\u00eas Jogos Ol\u00edmpicos tiveram que ser cancelados. E alguns feitos hist\u00f3ricos deixaram de ser obtidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por exemplo, nos Jogos de 1916 que n\u00e3o existiram, certamente o americano Duke Kahanamoku teria sido ouro nos 100m livre. Afinal, havia vencido em 1912 e venceria em 1920. Ou seja, teria sido o primeiro tricampe\u00e3o ol\u00edmpico na nata\u00e7\u00e3o. Mas a hist\u00f3ria teve que esperar at\u00e9 2012, sim, quase 100 anos para que Michael Phelps se tornasse o primeiro homem a vencer a mesma prova na nata\u00e7\u00e3o em tr\u00eas Ol\u00edmp\u00edadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil tamb\u00e9m foi prejudicado. Maria Lenk bateu recordes mundiais no nado peito em 1939 e chegaria \u00e0 Olimp\u00edada de 1940 como favorita. O evento foi cancelado, e o pa\u00eds s\u00f3 foi ter seu primeiro campe\u00e3o ol\u00edmpico na nata\u00e7\u00e3o em Cesar Cielo em 2008.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/b6d67-duke_kahanamoku_memorial_in_waikiki1.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/b6d67-duke_kahanamoku_memorial_in_waikiki1.jpg?w=300&amp;h=225\" alt=\"Memorial para Duke Kahanamoku na praia de Waikiki - Hawaii - Autor: Cristo Vlahos\" class=\"wp-image-29\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Memorial para Duke Kahanamoku na praia de Waikiki &#8211; Hawaii &#8211;&nbsp; Cr\u00e9dito: Cristo Vlahos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra brasileira tamb\u00e9m poderia ter alcan\u00e7ado a gl\u00f3ria em 1940 e 1944. Seu nome era Piedade Coutinho. Estava no auge da carreira e, apesar de n\u00e3o ter o mesmo status de Maria Lenk, tamb\u00e9m poderia brigar por medalhas. Tivesse ela nadado as duas Olimp\u00edadas canceladas, terminaria a carreira com cinco Olimp\u00edadas disputadas &#8211; havia competido em 1936 e ainda nadaria em 1948 e 1952. Somente em 2004 nadadores conseguiram alcan\u00e7ar a marca de cinco Olimp\u00edadas &#8211; sendo um deles brasileiro, Rog\u00e9rio Romero.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/5daf6-tokyo-1940.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/5daf6-tokyo-1940.jpg\" alt=\"Tokyo 1940 - Por pouco n\u00e3o ocorreu em T\u00f3quio o melhor desempenho ol\u00edmpico da nata\u00e7\u00e3o feminina brasileira\" class=\"wp-image-31\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tokyo 1940 &#8211; Por pouco n\u00e3o ocorreu em T\u00f3quio o melhor desempenho ol\u00edmpico da nata\u00e7\u00e3o feminina brasileira<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o \u201cse\u201d \u00e9 um exerc\u00edcio dif\u00edcil e a hist\u00f3ria n\u00e3o o leva em considera\u00e7\u00e3o. Por isso, vamos nos ater aos fatos. E eles comprovam: Piedade Coutinho \u00e9 um dos maiores nomes da hist\u00f3ria da nata\u00e7\u00e3o brasileira. Entre mulheres, ningu\u00e9m tem melhores resultados em Olimp\u00edadas. Por isso, depois de Tetsuo Okamoto, \u00e9 com grande honra e prazer que anunciamos Piedade Coutinho como o segundo o nome a figurar no Hall da Fama da Nata\u00e7\u00e3o Brasileira.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/0c99d-02-piedade_gazeta_esportiva.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/0c99d-02-piedade_gazeta_esportiva.jpg?w=737&amp;h=1024\" alt=\"Piedade Coutinho - Cortesia de Henrique Nicolini\" class=\"wp-image-38\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Piedade Coutinho &#8211; Cortesia de Henrique Nicolini<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O in\u00edcio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As carreiras de Piedade e Tetsuo se cruzam no in\u00edcio da d\u00e9cada de 50, quando ela desacelerava sua gloriosa trajet\u00f3ria e ele ascendia rumo aos p\u00f3dio ol\u00edmpico. Disputaram juntos os Jogos Pan-Americanos de 1951 e a Olimp\u00edada de 1952. Mas a jornada de Piedade come\u00e7ou muito antes disso, quanto Tetsuo ainda era um beb\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Piedade Coutinho Azevedo nasceu em 2 de abril de 1920 no Rio de Janeiro, e por l\u00e1 ficou por toda sua vida de nadadora, defendendo clubes como Guanabara, Vasco e Flamengo. Sua hist\u00f3ria se confunde com o pr\u00f3prio in\u00edcio da nata\u00e7\u00e3o competitiva feminina brasileira.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/475c9-04-piedade_vasco.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/475c9-04-piedade_vasco.jpg\" alt=\"Piedade Coutinho com mai\u00f4 do Vasco. Cr\u00e9dito: desconhecido\" class=\"wp-image-40\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Piedade Coutinho com mai\u00f4 do Vasco. Cr\u00e9dito: desconhecido<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela foi beneficiada pela iniciativa e atitude de grandes mulheres que, rompendo barreiras e tradi\u00e7\u00f5es, come\u00e7aram a se aventurar em esportes para os quais n\u00e3o tinham abertura no Brasil. A nata\u00e7\u00e3o era um deles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa iniciativa foi trazida em meados da d\u00e9cada de 20 principalmente por fam\u00edlias europeias, que j\u00e1 estavam mais acostumadas a mulheres no esporte. Em uma travessia no Rio Tiet\u00ea, a belga Blanche Pironnet n\u00e3o s\u00f3 competiu como derrotou todos os homens<sup>1<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira participa\u00e7\u00e3o em massa de mulheres foi em uma travessia em 1924, em S\u00e3o Paulo, com 8 nadadoras do clube alem\u00e3o Estela. Conforme relembrou Maria Lenk<sup>5<\/sup>, \u201ccoube a um pequeno grupo de mo\u00e7as da col\u00f4nia alem\u00e3 romper as maiores barreiras antepostas \u00e0 mulher no desporto pelos costumes e preconceitos locais, ao se apresentar em p\u00fablico para nadar. As restri\u00e7\u00f5es encontradas em casa por essas jovens eram menores, porque elas advinham de uma cultura tradicionalmente adepta aos cuidados com o f\u00edsico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/2c092-01-piedade_lenk_o_globo_sportivo.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/2c092-01-piedade_lenk_o_globo_sportivo.jpg\" alt=\"Piedade Coutinho com Maria Lenk no retorno dos Jogos Ol\u00edmpicos de 1936. Cr\u00e9dito: O Globo Sportivo\" class=\"wp-image-33\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Piedade Coutinho com Maria Lenk no retorno dos Jogos Ol\u00edmpicos de 1936. Cr\u00e9dito: O Globo Sportivo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A imprensa e os intelectuais da \u00e9poca se cativaram e come\u00e7aram a apoiar a presen\u00e7a de mo\u00e7as em competi\u00e7\u00f5es. Em 1930, aconteceram as primeiras competi\u00e7\u00f5es exclusivamente femininas em S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, com sucesso de participantes e audi\u00eancia<sup>1<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1935, foram realizados, no Rio de Janeiro, o Campeonato Brasileiro e o Campeonato Sul-Americano. Ambos foram os primeiros a contarem com provas femininas. E \u00e9 a\u00ed que Piedade Coutinho surge no cen\u00e1rio nacional. Ela havia come\u00e7ado a treinar em 1934, na rec\u00e9m inaugurada piscina do Clube de Regatas do Guanabara<sup>8<\/sup>, que futuramente seria palco dos recordes mundiais de Manoel dos Santos e Jos\u00e9 Fiolo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/864b1-08-guanabara-1935.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/864b1-08-guanabara-1935.jpg?w=1024&amp;h=639\" alt=\"Piscina do Guanabara em 1935, em uma das grandes competi\u00e7\u00f5es que l\u00e1 ocorreram, justamente na piscina e no ano que Piedade Coutinho come\u00e7ou a se destacar.\" class=\"wp-image-49\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Piscina do Guanabara em 1935, em uma das grandes competi\u00e7\u00f5es que l\u00e1 ocorreram, justamente na piscina e no ano que Piedade Coutinho come\u00e7ou a se destacar.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O n\u00edvel das competi\u00e7\u00f5es, por serem as primeiras de n\u00edvel para mulheres na Am\u00e9rica do Sul, era bastante rudimentar<sup>3<\/sup>, e sendo ela uma novata de 15 anos n\u00e3o obteve destaque. A estrela maior brasileira era Maria Lenk, que havia sido a primeira mulher sul-americana a disputar uma Olimp\u00edada em 1932 e vinha desenvolvendo o nado de peito com recupera\u00e7\u00e3o dos bra\u00e7os por fora d&#8217;\u00e1gua, que daria origem ao nado borboleta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gl\u00f3ria ol\u00edmpica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas Piedade evoluiu de maneira not\u00e1vel no intervalo de um ano, quebrou o recorde brasileiro dos 400m livre e foi convocada para os Jogos Ol\u00edmpicos de Berlim, em 1936. Chegou \u00e0 Alemanha com marcas que lhe davam credenciais nos 100m e 400m livre<sup>2<\/sup>. J\u00e1 em sua primeira prova, um resultado hist\u00f3rico: a 8\u00aa posi\u00e7\u00e3o nos 100m livre foi a melhor coloca\u00e7\u00e3o da nata\u00e7\u00e3o brasileira ol\u00edmpica at\u00e9 ent\u00e3o. Interessante notar que, apesar da coloca\u00e7\u00e3o, ela n\u00e3o foi finalista. Motivo: somente sete atletas se classificavam para as finais naquela Olimp\u00edada (as tr\u00eas primeiras de cada uma das semifinais, mais a nadadora com o pr\u00f3ximo tempo mais r\u00e1pido).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/5be1f-berlin-1936.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/5be1f-berlin-1936.jpg\" alt=\"Berlin 1936\" class=\"wp-image-41\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dias depois, caiu para sua melhor prova, os 400m livre. J\u00e1 na eliminat\u00f3ria, recorde sul-americano e terceiro melhor tempo no geral. Na semifinal, aumentou um pouco o tempo, mas n\u00e3o teve dificuldades para se classificar para a grande final &#8211; que por sinal contou com oito atletas, pois, al\u00e9m das tr\u00eas que venceram cada semifinal, o pr\u00f3ximo tempo mais r\u00e1pido foi dividido por duas nadadoras, que foram admitidas. Na final, Piedade Coutinho terminou na quinta posi\u00e7\u00e3o, com 5min35s2, novo recorde sul-americano. Foi a primeira final ol\u00edmpica da nata\u00e7\u00e3o brasileira. N\u00e3o s\u00f3 isso: foi o melhor desempenho em toda aquela Olimp\u00edada de um atleta do Brasil, cuja delega\u00e7\u00e3o n\u00e3o conquistou medalhas, e a melhor coloca\u00e7\u00e3o de uma brasileira em provas ol\u00edmpicas femininas at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/b9bc7-07-piedade-berlim.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/b9bc7-07-piedade-berlim.jpg\" alt=\"Foto tirada durante os Jogos Ol\u00edmpicos de Berlim em 1936. Da esquerda para a direita: Sieglinda Lenk, Piedade Coutinho, Scylla Ven\u00e2ncio, Maria Lenk e Carlos Campos Sobrinho (t\u00e9cnico). Coletada do grupo &quot;\u00c1lbum das gera\u00e7\u00f5es da nata\u00e7\u00e3o brasileira&quot;, do Facebook.\" class=\"wp-image-48\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto tirada durante os Jogos Ol\u00edmpicos de Berlim em 1936. Da esquerda para a direita: Sieglinda Lenk, Piedade Coutinho, Scylla Ven\u00e2ncio, Maria Lenk e Carlos Campos Sobrinho (t\u00e9cnico). Coletada do grupo &#8220;\u00c1lbum das gera\u00e7\u00f5es da nata\u00e7\u00e3o brasileira&#8221;, do Facebook.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O feito teve grande repercuss\u00e3o no Brasil. Aos 16 anos, recebeu da imprensa o apelido de Garota Prod\u00edgio<sup>2<\/sup>. O jornal O Globo publicou uma foto de Piedade nadando a semifinal dos 400m livre, reverenciando sua in\u00e9dita classifica\u00e7\u00e3o. Mais do que isso: foi a primeira telefoto publicada pela imprensa do Brasil, uma tecnologia que transmitia fotos por linha telef\u00f4nica. O pr\u00f3prio jornal trazia uma legenda justificando a escolha e reverenciando o feito: \u201cQuando Piedade Coutinho se classificou para as finais dos 400 metros livre, O Globo resolveu realizar um grande esfor\u00e7o de reportagem para publicar, imediatamente, uma telefotografia que fixasse a fa\u00e7anha extraordin\u00e1ria da nadadora brasileira.\u201d <sup>6<\/sup> De uma s\u00f3 vez, Piedade Coutinho entrava na hist\u00f3ria do esporte e da imprensa nacionais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/0d80b-05-telefoto.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/0d80b-05-telefoto.jpg\" alt=\"05 - Piedade Coutinho na primeira telefoto da imprensa brasileira, na Olimp\u00edada de 1936. Cr\u00e9dito: O Globo\" class=\"wp-image-34\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Piedade Coutinho na primeira telefoto da imprensa brasileira, na Olimp\u00edada de 1936. Cr\u00e9dito: O Globo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos anos seguintes, continuou entre as melhores do planeta. Em 1937, terminou o ano com o terceiro melhor tempo do mundo nos 400m livre e em 1938, tinha dois recordes sul-americanos no nado livre<sup>9<\/sup>. Em 1940, melhorou o recorde sul-americano dos 1500m, e de quebra tamb\u00e9m superou os recordes dos 500m, 800m e 1000m, marcas que na \u00e9poca eram homologadas, nas passagens da prova!<sup> 2<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>No lugar do sonho, duas guerras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na \u00e9poca, Maria Lenk era a maior estrela da nata\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, com recordes mundiais nos 200m e 400m peito, esperan\u00e7a de p\u00f3dio e at\u00e9 de ouro nos Jogos Ol\u00edmpicos de 1940. Mas Piedade tamb\u00e9m tinha resultados que a credenciava para medalhas ol\u00edmpicas. Muito se fala da decep\u00e7\u00e3o de Maria Lenk pelas Olimp\u00edadas de 1940 e 1944 terem sido canceladas por causa da guerra. Mas a frustra\u00e7\u00e3o para Piedade Coutinho tamb\u00e9m foi grande: atravessava a melhor fase da carreira e tinha plenas condi\u00e7\u00f5es de alcan\u00e7ar a gl\u00f3ria m\u00e1xima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tanto que continuou brilhando, e n\u00e3o somente nos 400m livre. No Campeonato Brasileiro de 1941, em S\u00e3o Paulo, fez 1min08s5 nos 100m, recorde brasileiro e um dos melhores tempos do mundo da \u00e9poca<sup>2<\/sup>, em uma prova que n\u00e3o era exatamente sua especialidade. Com a marca, teria sido finalista ol\u00edmpica em 1936 e na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o dos Jogos, que s\u00f3 viria a ocorrer em 1948.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/0b11e-03-piedade_o_globo_sportivo.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/0b11e-03-piedade_o_globo_sportivo.jpg?w=1024&amp;h=520\" alt=\"Piedade Coutinho. Cr\u00e9dito: O Globo Sportivo\" class=\"wp-image-45\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Piedade Coutinho. Cr\u00e9dito: O Globo Sportivo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Piedade foi recordista brasileira de todas as dist\u00e2ncias oficiais do nado livre em sua \u00e9poca de nadadora. Mas jamais conseguiu o recorde sul-americano dos 100m. A argentina Jeanette Campbell, fant\u00e1stica nadadora, conseguira a prata na Olimp\u00edada de 1936 com 1min06s4, recorde que durou 28 anos. O que atesta a for\u00e7a da nata\u00e7\u00e3o sul-americana na \u00e9poca: tr\u00eas competidoras em n\u00edvel mundial, com chances de medalhas na Olimp\u00edada que infelizmente n\u00e3o aconteceu. Isso jamais viria a acontecer novamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1941, no Sul-Americano organizado em Vi\u00f1a Del Mar, Piedade foi respons\u00e1vel por 50,5 pontos dos 174 conquistados pela equipe feminina, que conquistou o t\u00edtulo por pa\u00edses<sup>2<\/sup>. Ela e Maria Lenk foram recebidas com festa no Rio de Janeiro pelo Presidente Get\u00falio Vargas, que desde a instaura\u00e7\u00e3o do Estado Novo em 1937 se utilizava do esporte para compor o perfil nacionalista que tentava difundir<sup>7<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quebrando barreiras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo depois, abandonou as competi\u00e7\u00f5es para se casar e ter um filho. No entanto, em uma decis\u00e3o inusitada, incomum hoje e muito mais naquela \u00e9poca, voltou \u00e0 nata\u00e7\u00e3o em 1943. Imaginem h\u00e1 70 anos uma mulher romper valores que incompatibilizavam os papeis de m\u00e3e, esposa e dona-de-casa com a pr\u00e1tica do esporte. Eleonora Schmitt, nadadora brasileira que participou das Olimp\u00edadas de 1948, relembrou: \u201cEla levava muito a s\u00e9rio. O esporte era tudo pra ela. Acima de casamento, para Piedade, o esporte era o mais importante da vida dela.\u201d <sup>1<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3pria Piedade declararia, anos depois: \u201cExistiam muitos tabus naquela \u00e9poca em que a mulher n\u00e3o podia nadar, que a mulher era uma dona de casa, casada com filhos, n\u00e3o podia fazer esportes, era feio. E eu acho que eu dei um exemplo \u00e0 mulher brasile ira, que n\u00f3s podemos fazer isso e devemos, n\u00e3o s\u00f3 para darmos exemplo aos nossos filhos, \u00e0 juventude e para o nosso corpo e nossa sa\u00fade tamb\u00e9m.\u201d<sup> 7<\/sup><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/74bed-06-piedade_arquivo_folha.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/74bed-06-piedade_arquivo_folha.jpg\" alt=\"Piedade Coutinho ao lado de nadadora n\u00e3o identificada. Cr\u00e9dito: Arquivo Folha\" class=\"wp-image-47\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Piedade Coutinho ao lado de nadadora n\u00e3o identificada. Cr\u00e9dito: Arquivo Folha<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com tamanha devo\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o parava de se desenvolver e melhorar. Continuou conquistando t\u00edtulos brasileiros e sul-americanos e superando recordes. Em 1948, foi escolhida a melhor atleta do Brasil. Aos 28 anos, casada e considerada velha para o esporte, continuava quebrando paradigmas. Era vangloriada pela imprensa, como atesta o trecho do peri\u00f3dico Esporte Ilustrado de 22 de abril de 1948:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPiedade Coutinho \u00e9 como o vinho. Continua dando combate \u00e0s suas marcas antigas, ao poderio&nbsp;&nbsp; da juventude&#8230; Ontem, not\u00e1vel feito, hoje, senhora, m\u00e3e de um filho, mas sempre firme em busca de novas glorias.\u201d <sup>1<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Naquele ano, nadou os Jogos Ol\u00edmpicos de Londres, o primeiro do p\u00f3s-guerra. Foi o principal nome do revezamento 4x100m livre que alcan\u00e7ou a final (sexta posi\u00e7\u00e3o), ao lado de Eleonora Schmitt, Maria da Costa e Talita Rodrigues. A soma das idades de Eleonora (16) e Talita (13) resultava quase na de Piedade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/018f3-london-1948.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/018f3-london-1948.jpg\" alt=\"London 1948\" class=\"wp-image-42\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alcan\u00e7ou novamente a final dos 400m livre, terminando na sexta posi\u00e7\u00e3o com um tempo ainda melhor do que havia feito na plenitude da juventude, em 1936: 5min29s4. Para ela, no entanto, a final n\u00e3o foi motivo de comemora\u00e7\u00e3o. Naquele ano, j\u00e1 havia feito um excepcional 5min20s3, tempo suficiente para a medalha de prata ol\u00edmpica<sup>2<\/sup>. Mas as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de viagem para a Europa, estadia e alimenta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da perda da forma por ter ficado v\u00e1rios dias sem treinar por causa da longa viagem, tiveram seu pre\u00e7o. Infelizmente, esse era o retrato do esporte brasileiro naqueles tempos, condi\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m custaram medalhas a Maria Lenk e Manoel dos Santos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O \u00faltimo suspiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Beirando os 30, com duas Olimp\u00edadas e tr\u00eas finais disputadas, diversos t\u00edtulos e recordes, era hora de mudar de ares, certo? N\u00e3o para Piedade Coutinho. Continuou no esporte que amava a tempo de disputar a primeira edi\u00e7\u00e3o dos Jogos Pan-Americanos, em 1951, em Buenos Aires. L\u00e1, conseguiu dois bronzes, nos 400m livre e 4x100m livre. Aos 31 anos, conseguia suas medalhas mais importantes &#8211; talvez n\u00e3o as mais representativas de seus grandes feitos, mas as mais significativas em termos de import\u00e2ncia da competi\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m dela, os \u00fanicos medalhistas individuais do pa\u00eds foram Willy Otto Jordan, finalista ol\u00edmpico em 1948, e da estrela emergente Tetsuo Okamoto, vencedor dos 400m e 1500m livre.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/28218-09-brasileiro-1951.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/28218-09-brasileiro-1951.jpg\" alt=\"Nadadoras dos 100m livre no Campeonato Brasileiro de 1951. Piedade Coutinho, \u00e0 esquerda, chegou na 2\u00aa posi\u00e7\u00e3o. As outras, da esquerda para direita: Leda Carvalho (1\u00aa), Lira de Souza (3\u00aa), Marlene Damiani Pinto (4\u00aa), Isabel Ribeiro (5\u00aa) e Denize Junqueira (6\u00aa).\" class=\"wp-image-35\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Nadadoras dos 100m livre no Campeonato Brasileiro de 1951. Piedade Coutinho, \u00e0 esquerda, chegou na 2\u00aa posi\u00e7\u00e3o. As outras, da esquerda para direita: Leda Carvalho (1\u00aa), Lira de Souza (3\u00aa), Marlene Damiani Pinto (4\u00aa), Isabel Ribeiro (5\u00aa) e Denize Junqueira (6\u00aa).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00faltimo ato de sua carreira foi, como n\u00e3o poderia deixar de ser, no palco ol\u00edmpico. Aos 32 anos, foi a Helsinque, em 1952. Nenhum atleta que nadou provas individuais era mais velho que ela (somente dois que nadaram revezamentos). Alcan\u00e7ou a semifinal da prova que a consagrou, os 400m livre. No dia seguinte, viu a consagra\u00e7\u00e3o de Tetsuo Okamoto, bronze nos 1500m livre, o auge de uma hist\u00f3ria em que ela teve papel de protagonista.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/958ae-helsinki-1952.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/958ae-helsinki-1952.jpg\" alt=\"Helsinki 1952\" class=\"wp-image-43\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s deixar as piscinas, foi diretora de nata\u00e7\u00e3o do Botafogo. Tamb\u00e9m iniciou um trabalho de recupera\u00e7\u00e3o de deficientes f\u00edsicos, interesse surgido durante a Olimp\u00edada de 1936, quando, em Berlim, visitou um hospital que, atrav\u00e9s da nata\u00e7\u00e3o, promovia a recupera\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as deficientes<sup>3<\/sup>. No final da d\u00e9cada de 50, fez campanha para a constru\u00e7\u00e3o do Lar de Recupera\u00e7\u00e3o da Paralisia Infantil, onde desenvolveu atividades aqu\u00e1ticas<sup>2<\/sup>. Este trabalho ela deu continuidade em Portugal, onde residiu por oito anos, e tamb\u00e9m em Bras\u00edlia<sup>3<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1983, retornou ao Clube de Regatas Guanabara, onde ela deu seus primeiros passos na nata\u00e7\u00e3o competitiva, para praticar nata\u00e7\u00e3o diariamente, ministrar aulas de aprendizagem aos amigos e se dedicar ao seu hobby favorito, a pintura. Para ela, \u201co esporte deve ser praticado com a fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de educar a mente e formar personalidades. O bom esportista precisa saber ganhar e, principalmente, perder. N\u00e3o \u00e9 treinar feito um alucinado, visando a vit\u00f3ria a qualquer custo. Se fizer isso, estar\u00e1 esquecendo sua condi\u00e7\u00e3o de ser humano, para pouco a pouco transformar-se num rob\u00f4.\u201d<sup> 3<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 14 de outubro de 1997, Piedade Coutinho faleceu. Mas a longevidade de suas conquistas \u00e9 impressionante. Seu quinto lugar de 1936 se manteve como a melhor coloca\u00e7\u00e3o ol\u00edmpica feminina do Brasil at\u00e9 1964, quando Aida dos Santos foi quarta colocada no salto em altura. Em Jogos Pan-Americanos, uma mulher brasileira voltou a conquistar uma medalha individual na nata\u00e7\u00e3o somente em 1971, com Lucy Burle nos 100m borboleta. E em Olimp\u00edadas, o Brasil teve que esperar 56 anos para voltar a ter uma mulher finalista, com Joanna Maranh\u00e3o nos 400m medley em 2004. E mesmo atrapalhada pelo cancelamento de dois Jogos Ol\u00edmpicos, Piedade \u00e9 a nadadora brasileira com mais participa\u00e7\u00f5es, tr\u00eas, empatada com Joanna e Fabiola Molina.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/8c10a-10-piedade.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/8c10a-10-piedade.jpg\" alt=\"Piedade Coutinho - Foto coletada no grupo &quot;\u00c1lbum das gera\u00e7\u00f5es da nata\u00e7\u00e3o brasileira&quot;, do Facebook\" class=\"wp-image-36\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Piedade Coutinho &#8211; Foto coletada no grupo &#8220;\u00c1lbum das gera\u00e7\u00f5es da nata\u00e7\u00e3o brasileira&#8221;, do Facebook<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poderiam ter sido cinco. Assim como medalhas ol\u00edmpicas poderiam fazer parte de seu curr\u00edculo. Mas Piedade Coutinho superou tabus que envolviam mulheres no esporte e se dedicar \u00e0 nata\u00e7\u00e3o ap\u00f3s casar e ter filhos, e passou por cima at\u00e9 de uma Guerra Mundial para deixar seu nome na hist\u00f3ria do esporte do Brasil. Por isso, a partir de agora tem seu nome eternizado no Hall da Fama da Nata\u00e7\u00e3o Brasileira.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/e067c-certificado-piedade-coutinho.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hfnb.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/e067c-certificado-piedade-coutinho.jpg\" alt=\"Certificado Piedade Coutinho\" class=\"wp-image-53\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Slideshow em homenagem a Piedade Coutinho:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><iframe title=\"Piedade Coutinho\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ilmdtqtVreY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><sup>1<\/sup> Devide, Fabiano Pries (2003). Hist\u00f3ria das Mulheres na Nata\u00e7\u00e3o Feminina Brasileira no S\u00e9culo XX: Das Adequa\u00e7\u00f5es \u00e0s Resist\u00eancias Sociaiis. Motus Corporis, v.10, n.1, pp 49-70.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><sup>2<\/sup> Devide, Fabiano Pires (2006). Atletas-refer\u00eancia da Nata\u00e7\u00e3o Feminina. In: DaCosta, Lamartine. Atlas do Esporte no Brasil. Rio de Janeiro: Confef. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.atlasesportebrasil.org.br\/textos\/90.pdf\">http:\/\/www.atlasesportebrasil.org.br\/textos\/90.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><sup>3<\/sup> Godoy, Lauret (1998). Adeus \u201cPitty\u201d. Pesquisa n\u00e3o publicada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><sup>4<\/sup> Junqueira, Pedro (2008). O Campeonato Sul-Americano de 1935. Best Swimming. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.bestswimming.com.br\/conteudo.php?i=8113\">http:\/\/www.bestswimming.com.br\/conteudo.php?i=8113<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><sup>5<\/sup> Lenk, Maria (1986). Bra\u00e7adas &amp; Abra\u00e7os. 2\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Gr\u00e1fica Bradesco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><sup>6<\/sup> Louzada, Silvana (2009). Photography and Modernization of the Press in Brazilian Capital: The First Fifity Years of the 20th Century. Brazilian Journalism Research, v.5, n.2, pp 152-168.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><sup>7<\/sup> Mour\u00e3o, Ludmila (2000). Representa\u00e7\u00e3o Social da Mulher Brasileira nas Atividades F\u00edsico-Desportivas: Da Segrega\u00e7\u00e3o \u00c0 Democratiza\u00e7\u00e3o. Revista Movimento, v.2, n.13, pp 5-18.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><sup>8<\/sup> Nicolini, Henrique (2011). Quem Foi Piedade! Blog do Henrique Nicolini. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.gazetaesportiva.net\/blogs\/henriquenicolini\/2011\/04\/18\/quem-foi-piedade\/\">http:\/\/www.gazetaesportiva.net\/blogs\/henriquenicolini\/2011\/04\/18\/quem-foi-piedade\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><sup>9<\/sup> Titski, Ana Cl\u00e1udia Kapp; Queiroz, Kau\u00ea Fabiano da Silva; Zanlorenzi, Tiago Dimitrow; et al (2008). A Mulher Nadadora na Perspectiva da Revista Educa\u00e7\u00e3o Physica (1932-1945): Da Estrat\u00e9gia Publicit\u00e1ria \u00c0 Atleta Potencial. Trabalho apresentado no 1\u00ba Encontro da Asociacion Latinoamericana de Estudios Socioculturales del Desporte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Daniel Takata As guerras do s\u00e9culo passado privaram muitos atletas de alcan\u00e7arem a gl\u00f3ria m\u00e1xima. Devido \u00e0 Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, tr\u00eas Jogos Ol\u00edmpicos tiveram que ser cancelados. E alguns feitos hist\u00f3ricos deixaram de ser obtidos. 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